3 de fevereiro de 2012

Tempo histórico: diacronia e sincronia (1)

Avaliar a noção de tempo histórico que se adota em uma pesquisa é fundamental para o bom exercício da profissão de historiador. É necessário definir previamente, em razão do método adotado, qual é a noção de tempo que se utilizará na pesquisa história. É preciso refletir um pouco sobre a escolha entre a noção diacrônica e sincrônica da História.
Quando trabalhamos com a sucessão dos acontecimentos, entramos no universo das cronologias e dos processos que definem a forma diacrônica. Nesse caso, a palavra é a linearidade e a sucessão dos acontecimentos. Isso pode ser observado na organização dos sumários dos livros de História, em que os séculos ou as décadas e os anos são apresentados numa sucessão linear/diacrônica.
Porém, quando precisamos sincronizar os acontecimentos, quando comparamos épocas ou avaliamos as práticas culturais, sem colocar em primeiro plano os aspectos da cronologia ou da evolução delas, tendemos a adotar a noção sincrônica do tempo histórico. Nesse caso, o que importa é a sincronia das diferentes épocas ou práticas sociais, sem levar em conta a evolução ou a sucessão. Estuda-se a vida privada, por exemplo, em diferentes épocas, sem a preocupação com a origem, o progresso, as causas e consequências e, sobretudo, com a linearidade do tempo.
Exercitar-se nessas escolhas, pensar sobre a noção de tempo histórico que se está operando na pesquisa é importante para a prática profissional e para os bons resultados da pesquisa. Ao trabalhar com o tempo passado, o historiador precisar enfrentar essa reflexão. Sobretudo, porque o tempo histórico é uma construção social, uma abstração indispensável, mas de difícil entendimento.
ATENÇÃO: Você pode consultar no Métodos da História outra postagem complementar sobre esse tema: Tempo histórico: diacronia e sincronia (2)

19 Comentários:

Anônimo disse...

Muito bom! Obrigada pelo esclarecimento!

Elizabeth Torresini disse...

Estou à disposição para dialogar sobre as duas temporalidades históricas e agradeço o seu comentário.

Anônimo disse...

Você é muito clara, gostaria de saber se poderia dar uma ajuda em relação às correntes filosóficas, vou deixar meu e-mail: Jsm_nilson@hotmail.com

Elizabeth Torresini disse...

Nilson, nesse blog há uma publicação do dia 8/3/2010 que se chama "Práticas Historiográficas". Nela, poderás encontrar um esboço das linhas mestras da historiografia ocidental e da influência das correntes filosóficas. Se o teu ponto de vista é o do historiador, creio que poderá te ajudar. Mas se é exclusivo sobre as correntes filosóficas, sugiro a leitura de manuais de introdução à Filosofia. Há alguns excelentes. Além das bibliotecas e livrarias, poderá encontrá-los no site de busca de livros usados: Estante Virtual.
Elizabeth Torresini

MARCIO MELO disse...

Imensamente grato pelo esclarecimento !!!

pseudovideo disse...

Parabéns pelo texto

Anônimo disse...

Muito bom!
Obrigada

Elizabeth Torresini disse...

Estamos à disposição!

Adilton Jorge Garife disse...

A sincronia em história significa o quem

Rosimery gomes disse...

quais são campos de estudos da sincronia e diacronia?

Elizabeth Torresini disse...

Rosimery, diacronia e sincronia são termos que dizem respeito à noção de tempo histórico que utilizamos. Quando contamos uma história em sequência, em uma linha de tempo, estamos trabalhando com a noção da diacronia. Quando trabalhamos com o tempo não sequencial, com a ideia de simultaneidade, estamos operando com a sincronia. O história nova, decorrente da influência dos Annales, em geral, opera com a noção de tempo sincrônico. Espero ter ajudado. Sigo à disposição!

Brandon Borislav Kaanade disse...

Parabéns Elizabeth Torresini. Muito esclarecedor e instrutivo o texto. Contribuiu muito para a compreensão das duas noções de tempo. Estava procurando entender a diferença entre método sincrônico e diacrônico aplicados ao estudo da História da Filosofia, consegui facilmente compreender adaptando ao contexto os significados.

Elizabeth Torresini disse...

Brandon, fico contente por saber que o texto te ajudou. Essas noções são essenciais, no meu entendimento. Aqui, no Métodos da História, há um texto sobre modernidade e pós-modernidade, em que relaciono estes dois modos de entendimento do real com a diacronia e a sincronia. Saudações!

Sávio Souza disse...

Elizabeth,achei sensacional o seu texto,irei realizar uma prova que um dos temas a ser estudado é ''O tempo histórico'' você poderia me recomendar alguma leitura?

Elizabeth Torresini disse...

Sávio, agradeço o seu comentário elogioso do texto "Tempo histórico: diacronia e sincronia". No meu entendimento, esse tema é fundamental, pois dele resulta, entre outras coisas, a compreensão do próprio método do historiador. José Carlos Reis é o autor que melhor trata a questão entre nós. Encontrei, agora, diversos textos dele no Google. Essa é a minha sugestão de leitura. Mas sigo à disposição e lhe desejo uma boa prova.

Jéferson'' disse...

Bem eficiente e eficaz, parabéns pelo artigo, bem didático.

Júlia disse...

Elizabeth, um estudo recente de algo que está acontecendo nos nossos dias é um fato sicrônico?

Elizabeth Torresini disse...

Não necessariamente. Depende da maneira como vais apresentar o fato. Se ele for apresentado de maneira cronológica, sucessiva, mesmo sendo um fato atual, produzirás um estudo diacrônico. Mas se esse fato for sincronizado com outros semelhantes, talvez até de épocas diferentes, poderás ter um estudo sincrônico. Essas noções de tempo são escolhas nossas e compõem com o método que escolhemos. Se a tua dúvida permanecer, estou à disposição. Boa pesquisa!

Elizabeth Torresini disse...

Júlia, relendo a tua pergunta, gostaria de acrescentar que há uma escola de estudos históricos chamada história do presente. Procura te informar sobre ela. Talvez encontres bons exemplos de estudos sobre o tempo presente.

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